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Tuesday, December 1, 2009

Anima Escola 2009


Está em pleno curso o Anima Escola 2009, um programa de capacitação na linguagem da animação especialmente concebido para as escolas. Pelo 8º ano consecutivo, o projeto é realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, e busca desenvolver nos alunos e professores sua própria expressão artística, construindo sua consciência crítica frente à massiva utilização desta linguagem pelos meios de comunicação. Além, é claro, de proporcionar aos envolvidos a experiência de criar seus próprios filmes animados!


Mais uma vez, o software MUAN é parceiro na empreitada, facilitando o processo e "revelando" com agilidade o resultado final dos trabalhos para os alunos. E mesmo depois de finalizado o projeto, o professor pode continuar trabalhando com seus alunos, criando e produzindo filmes de animação.

Aida Queiroz, uma das diretoras do Anima Mundi, no processo
de capacitação dos professores da Rede Municipal do Rio



Apesar de não ser o objetivo final do Anima Escola, alguns dos filmes produzidos pelos alunos acabam ganhando visibilidade fora do programa. Foram os casos, por exemplo, do Pequeno Cordel do Sapo Voador, que ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival MostraMundo de Recife, em 2005, e do divertido (e talvez assustador) Baletéia e a Boneca Misteriosa, filme criado na oficina realizada no Núcleo de Artes Alencastro Guimarães (RJ), que ganhou menção honrosa no 13º Vitória Cine Vídeo, em 2006.

Cena da animação Baletéia...,
que pode ser assistida aqui


Tuesday, August 11, 2009

Brasil & Estônia

Anúncio publicitário feito pela Federação da Estônia para o amistoso de amanhã, divulgado no país baltico como "O Jogo do Século".

Em 2009, a Estônia completa 100 anos de futebol em seu país. Para comemorar, Pareiko, Jääger, Piiroja, Bärengrub e Klavan, Vunk, Dmitrijev, Purje e Vassiljev, Viikmäe e Zenjov enfrentam a seleção brasileira em um amistoso nessa quarta, às 14h15 no horário de Brasília. E a terra dos tremas também marcou presença esse ano no Anima Mundi, com a vinda de Priit Pärn ao festival. O estoniano participou do nosso Papo Animado, onde apresentou um pouco de sua filmografia originalíssima e nos contou sobre a tradição que a animação desfruta em sua terra natal.

Saiu lá também: Priit e Olga Pärn em uma matéria sobre
o Anima Mundi do Postimees, da Estônia (clique para ampliar).




Com as salas lotadas no Rio e em São Paulo, Priit preparou uma sessão que incluiu diversas produções de sua autoria, como propagandas de duas bebidas locais, um poema tradicional estoniano animado por ele como parte de projeto coletivo com outros animadores, alguns curtas e trechos de um média metragem recente, feito em parceria com sua esposa, Olga Pärn.



Priit revelou que nunca cursou nada relacionado a cinema ou artes, apesar de seu talento ter se manifestado desde cedo. Até hoje trabalha com outras formas artisticas além da animação, como pinturas, ilustrações e cartazes. Durante o Papo, exibiu alguns de seus trabalhos feitos com sua técnica favorita, o carvão (foto acima).

Em 1977, após seis anos estudando biologia, Priit decide produzir o seu primeiro desenho animado, Kas maakera on ümmargune? (A terra é redonda?), onde já se reconhece seu traço e estilo inovadores. Em um país que até o início dos anos 90 era controlado pela antiga União Soviética, o estilo autoral e vanguardista de Pärn (que influenciou gerações de animadores em todo o mundo) pode ser visto também como uma afirmação política. "Quando se vive em um regime autoritário, é preciso ser criativo para afirmar sua individualidade, e o humor absurdista de meus trabalhos foi a forma que encontrei para fugir da uniformidade", afirmou o animador.


Priit e Olga Pärn, durante o Papo Animado no Memorial da América Latina, em São Paulo


Um dos filmes apresentados, 1895, é uma verdadeira viagem de Pärn investigando a origem do cinema. De maneira semelhante, Karl and Marylin desconstrói dois mitos e os recolocam no mesmo século XX, de maneira divertida e surreal. Após a exibição dos curtas, o público pôde fazer perguntas aos dois criadores, e uma delas foi a respeito da sexualidade e da violência contida nesses filmes. Priit respondeu que elas só estão em seus trabalhos porque também fazem parte da vida, e Olga acrescentou: "Ninguém perguntava a Bergman ou Pasolini sobre a necessidade do uso de certos elementos de violência ou erotismo em seus filmes, pois estes eram intrísecos à obra. O mesmo acontece com nossos filmes de animação." Priit fez questão de frisar que, apesar de alguns de seus trabalhos serem voltados para o público infantil, seu trabalho não segue regras estipuladas pela TV ou outra mídia específica, e que animação não é algo somente para crianças.

Sobre o jogo de hoje, o diretor se adiantou em dizer que vai torcer para que seu país faça uma boa partida, mas agora que conheceu o Brasil não vê muito problema caso nossa seleção vença. Além disso, Priit nos mostrou que, apesar de seu país ocupar um espaço modesto no ranking da FIFA, figurando apenas em 112º, em matéria de animação os estonianos batem um bolão!

Sunday, July 26, 2009

Amid Amidi e o Cartoon Moderno


O Papo Animado com Amid Amidi, que aconteceu nessa quinta-feira, foi uma verdadeira aula de estética sobre os cartoons americanos da década de 50. Esse período é considerado por estudiosos hoje como um dos mais férteis da história da animação, considerando a originalidade do que era produzido até mesmo pelos grandes estúdios da época, como o de Walt Disney. A apresentação foi baseada no livro de sua autoria, o Cartoon Modern, um estudo que levou 7 anos de pesquisa e mais de 40 entrevistas com profissionais da animação para ser concçuído. Mas a sessão teve a vantagem da exibição dos curtas, que deu ao público do Memorial uma dimensão maior do que quando se vê apenas as ilustrações do material impresso.



Algumas das cabeças por trás do lendário UPA


Amid mostrou como se deu essa renovação e quebra de paradigmas estéticos através do trabalho de grandes desenhistas e diretores que aos poucos foram conquistando maior liberdade dentro dos estúdios. Alguns deles em breve integrariam a conceituada UPA (United Productions of America). Ward Kimbal, por exemplo, foi o único artista que, segundo Amidi, fora chamado de "gênio" por Walt Disney. Para se ter uma idéia da revolução que Kimbal implementou no estúdio, Amidi comparou em dois quadros um desenho do filme Peter Pan, em 53, e outro feito pouco mais de um ano depois:


Este em primeiro plano é um trecho de um filme que, nas palavras de Amidi, "é uma bíblia da animação em Los Angeles. Uma fonte de inspiração até hoje, pela riqueza na caracterização dos personagens." O curta se chama Toot Whistle Plunk and Boom, uma animação divertidíssima onde o Professor Coruja dá uma aula sobre a história da música, do homem das cavernas aos dias de hoje, explicando os quatro tipos básicos de instrumentos. Amidi explicou também a forma harmoniosa em que o design interagia com os movimentos, e a animação limitada a apenas algumas partes da cena criava um efeito cômico realçado, enquanto que dinamizava o tempo e o orçamento da produção.


Cena do clássico Toot Whistle Plunk and Boom, de Ward Kimbal.

Entre outros filmes exibidos, Amidi ressaltou a importância de artistas como Tom Oreb e Ed Benedict na criação de personagens como Zé Colmeia, Bob Pai e Bob Filho, etc, cujas formas e silhuetas são simples e eficientes, comunicativas. O estilo deles hoje influencia trabalhos comtemporâneos como Madagascar e Ren & Stimpy, de Tom McGrath. E a crítica que Amid faz a maioria das animações de hoje em dia é justamente o excesso de estilização, onde falta personalidade às figuras.


Um esboço do querido Zé Colméia vs. a hiper-estilização atual.

Como último filme da sessão, Amid Amidi selecionou o seu favorito. Fleubus, de Ernie Pintoff, traz uma abordagem mais introspectiva dos personagens, outra quebra de paradigmas em uma era onde a ação frenética e animais com atitudes humanas eram mais valorizados nos desenhos. Na animação, Flebus ama todo mundo e todos amam Flebus, exceto Rudolph. que recusa todos os seus presentes. Ambos procuram um psicanalista freudiano, que ironicamente dá o mesmo diagnóstico para os dois: “O seu prrrroblema é... você é neurrrrótico!”:


Thursday, July 23, 2009

Entrevista com Scott Tom, do Estúdio Laika


Há 12 anos que Scott Tom trabalha com todos os aspectos da fabricação de bonecos e cenários para a animação stop-motion. Coordenou departamentos de fabricação de bonecos em programas de TV e comerciais, como The PJ's, Gary & Mike e Robot Chicken. Em Coraline, foi chefe de fabricação de bonecos. Alguns minutos antes de sua apresentação especial do filme, ontem no Memorial, Scott Tom nos concedeu uma rápida entrevista, falando um pouco dos detalhes da produção e do que está achando do festival.

Qual a importância de se manter a estética do stop motion em um filme como Coraline, mesmo com tantos recursos em 3D, computação gráfica?

Tom - Nossa preocupação estética em Coraline foi a de deixar aquele mundo muito táctil. A Animação 3D gerada por computação pode parecer muito "etérea", enquanto o o stop-motion é mais "mundo real". Tudo que se vê na imagem realmente foi feito: os detalhes dos bonecos, o figurino, os ambientes. Acho que tudo isso atravessa a tela, é mais caloroso, tem mais apelo com o público, de uma forma que animação gerada inteiramente por computador muitas vezes não tem. Um boneco fabricado e fotografado nos dá uma sensação real de profundidade e tridimensionalidade.

A plasticidade visual de Coraline chega até mesmo aos cabelos dos personagens, onde fios eram inseridos um a um nos bonecos, para garantir uma movimentação realista.

Como foi a concepção visual dos personagens de Coraline? Eles foram criados a partir do zero por sua equipe, ou vocês tiveram alguma referência visual do diretor Henry Selick?

Tom - A inspiração visual para Coraline foi indepentente do que foi criado para o livro. Todos os personagens foram concebidos de acordo com a concepção de Henry, sua visão de como os bonecos deveriam ser, os cenários, etc. Para isso, ele trabalhou com diferentes ilustradores, que o ajudaram a se comunicar visualmente com quem fabricava os bonecos, com quem construía os cenários. Um dos ilustradores foi Tadahiro Uesugi, que teve uma participação muito grande na identidade visual dos personagens. Mas Tadahiro não foi o único na criação do visual do que veio a se tornar o mundo de Coraline. Nós precisávamos de mais ilustradores envolvidos, e o que se vê na tela é o resultado do esforço de uma equipe em dar vida ao que Henry tinha em mente. Foram muitas tentativas, nós esculpimos várias vezes inúmeras versões dos bonecos. Tínhamos, por exemplo, uma figurinista para os personagens. Hoje estamos satisfeitos em afirmar que nenhuma outra animação stop-motion mostrou tantas "trocas de roupa" quanto Coraline, e isso foi implementado para que Henry conseguisse mostrar o passar do tempo na história. Tudo isso deu um caráter único para a animação.
Na apresentação, Scott exibiu uma das ilustrações de Tadahiro Uesugi,

que ajudaram na concepção do Pink Palace, em Coraline.



Voce diz que o as animações de Ray Harryhausen é uma grande influência no seu trabalho, mas talvez muita gente não saiba exatamente quem ele é. Que filmes em stop motion você recomendaria para quem quer conhecer mais sobre essa técnica?

Tom - Ray é como se fosse "o pai do stop motion"- acho que todos na indústria pensam assim. Certamente ele não foi o primeiro a usar a técnica, mas foi aquele que a trouxe para o mainstream. E não eram filmes estritamente de stop-motion, eram efeitos especiais. Eu era bastante jovem quando assisti a Fúria de Titãs (1981), um filme em que alguns personagens eram deuses, e todos os efeitos foram criados por Ray. Olhando para trás, ele criou muita coisa pioneira em stop-motion. Outro filme que eu vi quando jovem e me influenciou bastante foi O estranho mundo de Jack (1993), do próprio Henry Selick, que muitos devem ter visto, um grande sucesso. Esses dois são filmes bem fáceis de se encontrar por aí, e funcionam muito bem como apresentação ao stop-motion. Mas essa técnica está em toda parte, se olharmos em programas infantis, comerciais, sempre encontramos exemplos.

E o que você tem achado do Anima Mundi? Como foi a receptividade do público com a sua apresentação do making of de Coraline com Mike Cachuela?

Tom - Bem, eu me sinto mal em dizer que não tinha ouvido falar do Anima Mundi até um ano atrás, e meus colegas sempre falavam: "você precisa ver como é". E é mesmo fantástico. Eu tive a felicidade de vir aqui com Coraline e conversar com esse público, e fiquei impressionado com a forma com que se interessavam. Nos Estados Unidos, nós não temos um festival de animação como esse, não com uma estrutura tão grande assim. Se faz muita animação nos Estados Unidos, mas o interesse do público não é como o daqui. Gostaríamos que fosse, porque é inspirador para a gente que trabalha duro para fazer tudo dar certo. É um processo muito lento fazer animação, e chegar em um lugar onde as pessoas querem muito saber como foi feito, que nos dão esse esse tipo de resposta, vale muito a pena.

Wednesday, July 22, 2009

Nessa quinta: Papo Animado em duas sessões

Amidi Amid em seu habitat natural: em meio a cartoons e desenhos.

Já está garantido que a noite de hoje vai ser duplamente animada. É que a sala 2 do Memorial está reservada para receber em sequência duas sessões do Papo Animado. A primeira, às 19h, é com Amidi Amid, assumidade em animação e co-criador do site Cartoon Brew. Sobre o Amidi já falamos aqui, e essa vai ser a vez do público de São Paulo conferir a seleção de curtas selecionados por ele.

Priit Pärn, da Estônia, lugar onde os tremas,

banidos na nossa nova ortografia, ainda encontram refúgio.


Logo depois, às 21h, o encontro é com Priit Pärn, que irá mostrar o que é que a Estônia tem em matéria de animação. Daqui, já podemos adiantar que não é pouca coisa. Esse cantinho da Europa, com menos de um milhão e meio de habitantes, é um verdadeiro reino encantado da animação, onde provavelmente se encontra a maior densidade populacional de animadores, e se produz alguns dos filmes mais loucos e inovadores desta linguagem.

Karl and Marilyn, de Priit Pärn (Estônia, 2003)

Pärn é conhecido pelo seu estilo surrealista – cujo traço inspirou uma série de artistas contemporâneos, como a série Rugrats, do canal Nickelodeon – e pelo humor ácido de filmes como Hotel E. Para o bate-papo, está programada a exibição de dois de seus curtas (1985 e Karl and Marilyn), o poema animado Ma kuklas tunnen eluaegset kuulie e dois engraçadíssimos comerciais de bebida feitos por ele (confira os detalhes aqui).


Sunday, July 19, 2009

Júri Popular RJ: Josué e o Pé de Macaxeira é a melhor animação brasileira

E o ganhador do prêmio Melhor Animação Brasileira, eleito pelo Júri Popular, é o curta Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Viegas. Diogo recebeu também o Prêmio Aquisição Canal Brasil, um incentivo ao melhor curta-metragem nacional, no valor de R$10.000,00. Empolgado, Diogo agradeceu dizendo: "Fico feliz porque me criei no Anima Mundi. Ganhar esse prêmio de vocês é sinal de que aprendi alguma coisa!"
Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Viegas (Brasil, 2009)
produção: Rocambole Produções
técnica: lápis sobre papel, computador 2D

E daqui a pouco, a lista completa dos vencedores!

Saturday, July 18, 2009

FLIP BOOK!

Agora você pode levar pra casa (ou carregar sempre no bolso!) a vinheta do Anima Mundi 2009, criada e animada por Andreas Hykade. O primeiro flip book publicado por Anima Mundi em 17 anos chega à lojinha de produtos do festival (na Casa França-Brasil no Rio até este domingo 19, e no Memorial da América Latina em São Paulo a partir de quarta 22).

Para ver a animação (em duas cenas, frente e verso!) faça como no filminho abaixo.




Funciona sem baterias! ;-)

Friday, July 17, 2009

Papo Animado com Michel Ocelot

No embalo das comemorações do Ano da França no Brasil, o Anima Mundi recebeu a visita do francês Michel Ocelot no Papo Animado de ontem. Ocelot é considerado um mestre no cinema de animação infantil, e aproveitou o encontro para contar sobre os percalços de seu inicio de carreira, comentando com muito bom humor alguns de seus primeiros trabalhos, além de revelar em detalhes as técnicas usadas.

Sobre o primeiro, Les 3 Inventeurs (Os 3 inventores), Ocelot revelou: "Tive muita dificuldade nesse meu primeiro filme. Na época em que foi feito, não haviam escolas de animação, se algo não desse certo, você tinha que tentar de novo com base na intuição. Por isso até hoje não sei como fazer de verdade", brincou.

Após a exibição do curta, Ocelot mostrou alguns dos personagens, feitos com recortes de papel branco e "aquela renda de papel que colocamos debaixo de bolos e tortas", todos presos à tela filmada com fita adesiva transparente. A inusitada matéria prima e o complexo esforço exigido para que a animação fosse feita resultaram em um filme de beleza estética impressionante. "Realizei esse pequeno filme para mostrar ao mundo que existia. Mas não tive muito sucesso nisso."


Após os 3 inventores, Ocelot investiu em um filme muito mais simples. La légende du pauvre bossu (A lenda do pobre corcunda) tem "poucas cores, nenhum diálogo e muito pouco movimento. Ironicamente, com este ganhei o Cesar de Melhor Animação".

Depois, uma surpresa: Ocelot incluiu em cima da hora um outro curta na programação, uma animação clássica em 2D cuja fonte era uma vita VHS de seu acervo! Les quatre voeux mostra o que acontece quando São Martinho resolve atender os pedidos absurdos (e pornográficos) de um casal que aparentemente se odeia. Realmente inesperado, o filme arrancou gargalhadas da sala .

Dando continuidade de seu trabalho com silhuetas, Ocelot apresentou três episódios da série de TV Les contes de la nuit, onde grandes lendas são reimaginadas sob seu estilo peculiar. Icare, La Belle Fille et le Sorcier e Le Prince des Joyaux foram os episódios selecionados.


Sobre a série, Ocelot explicou: "Gosto de fazer curtas, onde tenho liberdade total, mas para eles não há mercado, somente nas séries televisivas." Satisfeito por ter conciliado um trabalho autoral com as exigências da TV, Ocelot revelou como começou na animação: "Antes dos 3 inventores, trabalhei em uma história sobre patos (como todos)."

Na conversa, ainda sobrou espaço para Ocelot revelar detalhes de como foi trabalhar dirigindo um clipe da cantora Bjork, após a islandesa ter se encantado com seu maior sucesso, Kirikou (sua filha havia assistido o dvd japones e decorado as falas nesse idioma!). O resultado foi o clipe da canção Earth intruders.


E para fechar o encontro, Ocelot fez questão de mostrar "a criança que mudou minha vida". Em uma edição que mostrava como Kirikou fora dublado em diversos idiomas, ficou evidente o êxito que o longa teve em todo o mundo. E para que o trabalho mantivesse sua integridade, o diretor contou como luto contra todas as exigências do produtor, numa produção que durou mais de 4 anos. O tempo provou o quanto a persistência valeu a pena.


O animador disse ter se adaptado muito bem às tecnologias em 3D, mas diz ter saudades das velhas técnicas que o consagraram. "O uso do 3D proporciona muitas coisas boas, mas sua fraqueza é justamente o poder que ele tem: pode-se imitar tudo. Nas técnicas em 2D o espectador entende de imediado o que é proposto: que aquilo é uma brincadeira onde ele é convidado a entrar, há um pacto com a simplicidade." Para os próximos trabalhos, Ocelot pretende voltar ao 2D se utilizando das novas tecnologias. Pela beleza de seu trabalho, só podemos esperar coisa boa vindo aí.

Para quem perdeu o bate papo no Rio, os curtas serão re-exibidos na Sessão Michel Ocelot, hoje às 18h no Cinema CCBB. E nesse domingo todos os longas da mostra especial Michel Ocelot serão exibidos no Odeon a partir das 15h30.

E em São Paulo, o Papo Animado vai acontecer na próxima quarta-feira, às 19h no Memorial Sala 2.

A boa do fim de semana

Quem for ao Anima Mundi nas noites de sexta e sábado já tem dois programas bem animados:



Hoje, às 21h na Praça Animada, será exibido o longa Sita Sings the Blues, de Nina Paley, uma interpretação do épico indiano Ramayana. Nessa versão não vai faltar números musicais coreografados ao ritmo do jazz, vocal dos anos 20 de Annete Hanshaw e centenas de figurantes: macacos voadores, monstros perversos, deuses, deusas, guerreiros, sábios e olhos alados. E atenção para o subtítulo do filme: "A Maior História de Separação Jamais Contada."


E amanhã, no mesmo horário, a boa é conferir a sessão especial de Coraline, a animação stop-motion baseada na obra do escritor e quadrinista Neil Gaiman. O filme tem a estrutura narrativa e a atmosfera sombria das fábulas infantis tradicionais, como as dos irmãos Grimm. Segundo o diretor Henry Selick, "alguns filmes da Disney, como Branca de Neve, Pinóquio e Alice no País das Maravilhas exploram o medo com muita eficiência". Coraline é o primeiro longa-metragem de stop-motion filmado e exibido em projeção estereoscópica 3D, mas ainda assim Selick decidiu manter a estética do stop-motion, porque "essa técnica é imperfeita, o trabalho é tocado pela mão do artista, você sente a força da vida. É impossível atingir a perfeição". Para entendermos isso de perto, alguns dos bonecos usados na animação serão expostos na Praça Animada!


E para mostrar como esse visual apurado foi conseguido, antes da exibição do longa teremos um bate-papo com Scott Tom, construtor de bonecos (trazendo alguns dos bonecos feitos por ele para o filme), e Mike Cachuela, co-supervisor de storyboard. Mike ainda ministrará o workshop "A criação do seu filme", hoje no Rio e dias 22 e 23 em São Paulo (saiba mais aqui).

Thursday, July 16, 2009

Galeria Animada: curtas em exposição

Runa's Spell, de Stephanie Maxwell (EUA),
em cartaz na Galeria Animada


Quem ainda não passou na Galeria Animada não sabe (ou não sente) o que está perdendo. Não sabe porque os filmes são exibidos sem limitação de tempo, então dá sempre pra assistir alguma coisa legal no intervalo entre as outras sessões do festival (e ainda por cima a entrada é gratuita!)

E não sente porque a proposta da Galeria é justamente essa: oferecer ao público experimentações sensoriais através de filmes que desafiam os formatos tradicionais, seja no campo da estética, do roteiro ou da percepção da linguagem. Veja quais são os filmes em exposição aqui.


Os filmes são exibidos num espaço diferenciado com audio e video de qualidade no Centro Cultural Correios, de terça a domingo de 11h30 às 19h30. Em São Paulo, a Galeria vai ser no Memorial da América Latina de quarta a domingo, das 11h às 20h.

Tuesday, July 14, 2009

Papo Animado: Amid Amidi

O Papo Animado de hoje é com um especialista. Essa é a palavra mais sucinta e precisa para definir Amid Amidi quando o assunto é imagens em movimento. Autor de inúmeros livros, editor da revista Animation Blast e co-criador do site Cartoon Brew, Amidi trabalha com animação desde os 9 anos de idade, e é capaz de mapear em detalhes a evolução dos desenhos animados desde seus primeiros dias até as tendências estéticas mais atuais. Ministra palestras em diversas retrospectivas de grandes festivais de animação como o Fredrikstad (Noruega), Projector (Escócia), Platform (Portland) e a San Diego Comic-Con.

Cena de Dixieland Droopy, de Tex Avery (1954)

Esse ano o Anima Mundi tem uma sessão com curtas selecionados por Amidi. E amanhã os cariocas terão a oportunidade de assisti-los com apresentação do curador às 19h30, na sala de cinema do CCBB.

Monday, July 13, 2009

Walt Disney Animation Studios apresenta Bolt (Making Of)


A beleza e a plasticidade de uma pintura em uma animação 3D. Esse foi o objetivo da equipe de artistas, animadores, departamento de efeitos especiais e iluminação por trás de Bolt, dos Estúdios Disney. Homenageando o uso da luz e das cores usadas por artistas do ínicio do século XX, como Edward Hopper e George Bellows, a equipe de produção utilizou uma nova tecnologia desenvolvida especialmente para o filme. Isso deu aos cenários criados por computação gráfica uma aparência de quadros pintados à mão. Para isso, pinceladas manuais foram aplicadas aos prédios e cenários do filme, utilizando o novo programa patenteado pela Disney, o Ray Painting.

Um dos cenários de Bolt (2008)

Dawn in Pennsylvania, de Edward Hopper (1942)


Bolt é o 47º longa-metragem de animação dos estúdios Walt Disney. É a história de um pastor alemão que cresceu em um estúdio de TV, e está convencido de que possui mesmo os super-poderes do personagem que interpreta (como um Super Latido devastador!). E nessa terça, dia 14, convidamos os animadores Renato dos Anjos (Supervisor de Animação) e Leo Sanchez-Barbosa (Modelador de Personagem) para falar sobre a criação do personagem e as técnicas inovadoras da animação usadas no filme, desde os conceito iniciais de design ao visual final do superherói e dos cenários.

Renato é brasileiro e já está há 21 anos na indústria de animação. Leo é espanhol, ou melhor, catalão, de Barcelona. Os dois são co-responsáveis por uma das maiores qualidades do filme: a expressividade e a atuação do cãozinho protagonista, obtida através de excelente modelagem, rigging e é claro, animação perfeita. Vamos saber mais como isto foi conseguido, antes de (re) ver o filme em cópia dublada.

O encontro vai ser na Praça Animada, às 21h. Em São Paulo, a sessão vai ser no dia 24, no Memorial Sala 2.

Friday, July 10, 2009

E foi dada a largada!!




Tem início a maratona! De meia em meia hora tem uma sessão começando em uma das salas do CCBB, Odeon Petrobras, Centro Cultural Correios, Estação Botafogo ou na Praça Animada - então programe-se! Você pode baixar a grade da programação em pdf aqui , e saber aqui o que vai encontrar em cada sessão.

Nos vemos lá!

Thursday, July 9, 2009

Entrevista com Andreas Hykade

Detalhe do cartaz do Anima Mundi. Procure um desses pela cidade e faça como o Mr. Magoo:
veja bem de perto cada um dos personagens!


O festival só começa amanhã, mas a vinheta e o cartaz do Anima Mundi 2009 já estão fazendo sucesso. O material foi feito por Andréas Hykade, animador alemão que esteve no Papo Animado da edição de 2008. Seu trabalho autoral e irreverente inclui filmes como We Lived in Grass (Vivíamos no Campo, 1995), o western Ring of Fire (Círculo de Fogo, 2000), The Runt (O Nanico, 2006), além de videoclipes e a série de TV para crianças Tom & the Slice of Bread with Strawberry, Jam & Honey. Para saber um pouco mais sobre o Andreas e o visual do Anima Mundi esse ano, fizemos uma pequena entrevista.

A ilustração e a vinheta animada que você fez para o Anima Mundi desse ano é como um “Sgt. Peppers do mundo da animação” – uma galeria de ícones feitos no seu estilo inconfundível. Você poderia comentar sobre a escolha de alguns deles? O que vemos lá são seus personagens favoritos?
Hykade - Eu quis usar um pouco dos personagens clássicos de animação para que todo mundo reconhecesse, como a Betty Boop, o Droopy e o Bob Esponja. Em seguida escolhi alguns ícones da cena da animação para adultos, como Michelle Cournoyer, Phil Mulloy e o Poderoso Bill Plympton. Por último, eu escolhi alguns personagens que não são necessariamente relacionados ao mundo da animação, como Karl Marx, Adolf Hitler e Deus, porque imagino que eles dariam ótimos personagens clássicos de animação. Eu não pensei em Sgt. Peppers conscientemente, mas faz sentido.

Seu trabalho abrange tanto animação feita para crianças, como a série de TV Tom, e material direcionado para um público mais velho (como é o caso do premiado Ring Of Fire). Mesmo assim, você acha que os adultos ainda têm restrições ao gênero?
Hykade - Sim, grandes restrições. E algumas coisas precisam acontecer para que isso mude:
1 – Os criadores precisam abrir suas cabeças e produzir animação para adultos, que seja interessante para um público mais amplo.
2 – Os canais de TV, produtoras e distribuidores precisam investir mais dinheiro em filmes para adultos, e desenvolver estratégias de marketing para oferecê-los a um público mais amplo.
3 – Canais de TV, portais na internet e distribuidoras de filmes precisam desenvolver formatos e programas para apresentar e publicar animação para um público mais amplo e adulto.
4 – Jornalistas mais sérios precisam descobrir a animação para adultos, escrever sobre ela e trazer o assunto a um público mais amplo.
5- O público precisa abrir mais a cabeça e descobrir que a animação para adultos é uma forma de arte altamente inspiradora.

Tem se falado que você está preparando seu primeiro longa-metragem, que se chama Jesus. Em que fase está a produção? Dá pra revelar alguns detalhes?
Hykade - Ainda não comecei a produzir Jesus ainda, porque ainda não consegui financiar. Primeiro pretendo finalizar um curta chamado Love & Theft (que é baseado na vinheta do Anima Mundi desse ano e já está financiado), e espero conseguir o distribuidor certo nesse ínterim. Mas não posso revelar nada de Jesus, tirando o fato dele ter um final surpreendente.

Da seleção de filmes do Anima Mundi desse ano, quais que você já assistiu e recomendaria para o público? Tem algum da Alemanha que você gostaria de comentar?
Hykade - Não conheço muitos dos filmes que serão exibidos esse ano, mas da Alemanha eu gostaria de recomendar alguns filmes de estudantes:
Never drive a car when you're dead (Se morrer não dirija), de Gregor Dashuber, que nos lembra que o punk não morreu;
You are my hero (Você é meu herói). de Tobias Bilgeri, que apesar de ser feito por um homem, é contado do ponto de vista de uma mulher. E parece ter sido feito há 600 anos, o que o faz parecer novo em folha;
E A6/A9, um curta bem curto mesmo, mas que mostra o potencial desse austríaco talentoso chamado Johannes Schiehsl.


Você pode conferir alguns dos curtas de Hykade em seu site oficial

Wednesday, July 8, 2009

Anima Fórum: a indústria brasileira já é uma realidade

Existe um jeito brasileiro de fazer animação para TV? É só trocar hambúrguer por acarajé? É possível ser original em um mercado tradicionalista? E quem é o público: a criança, o adolescente ou o adulto?

Se na primeira edição do Anima Mundi a animação brasileira mal engatinhava, hoje, 17 anos depois, já se pode dizer que ela está atingindo um nível crescente de maturidade e questionamento. Isso se reflete no nível de profissionalização que o festival oferece em 2009. E nesse ano, o Anima Fórum será realizado pela primeira vez em solo carioca, de 15 a 18 de julho no CCBB. Serão quatro dias intensos de discussão sobre o mercado internacional e nacional de animação com palestras, mesas-redondas, encontros de negócios, apresentações e estudos de caso.

Entre os convidados estão Linda Simensky e Beth Carmona, conversando sobre o universo temático das séries de TV, as produtoras Sesame Workshop, Little Airplane e Rainbow, mostrando suas séries e falando sobre suas trajetórias, além do Ministério da Cultura e a Secretaria do Audiovisual, apresentando iniciativas de apoio à produção de filmes em animação.

Tuesday, July 7, 2009

Sessão de Máscaras

Aconteceu ontem a sessão especial de lançamento do Anima Mundi 2009 (que abre para o público na sexta dia 10!), com uma sessão de filmes na Praça Animada, que é construída todo ano para o festival, sobre a Praça do Centro Cultural Correios. O ator e diretor Fernando Caruso foi o mestre de cerimônias do evento, e contou detalhes da nova edição para um público formado por patrocinadores, realizadores e convidados do festival. Filho do cartunista Chico Caruso, Fernando é fanático por animação e frequenta o Anima Mundi desde a primeira edição. E ontem provou que tem bastante intimidade com o assunto ao confessar: “Eu não nasci, fui desenhado pelo meu pai."

Ele aproveitou também para recomendar a todos o ucraniano The Good Soldier Shweik, de Robert Crombie, um dos longas da programação desse ano. Claramente anti-belicista, a animação foi recentemente censurada eu seu país de origem. Caruso deu o toque: “Essa pode ser uma das poucas oportunidades de assistir o filme”.

Fernando Caruso e Maria Arlete Gonçalves, da Oi e do Oi Futuro

Convidada ao palco, a secretária de cultura Adriana Rattes comentou sobre o crescimento da produção nacional de animação: esse ano, o festival conta com 66 filmes brasileiros, seguido em quantidade pela França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. César Coelho, um dos diretores do Anima Mundi, completou falando sobre a atual fase de profissionalização de nossa animação, citando as novas parcerias de produtoras brasileiras com canais estrangeiros para séries de TV e outros formatos.


Aida Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury, Grilo Falante (ops... Marcos Magalhães) e Fernando Caruso


Os diretores do Anima Mundi também aproveitaram a oportunidade para agradecer e comemorar o sucesso do festival, e não deixaram de dar as suas dicas para quem vai passar o mês de julho respirando animação. Aida Queiroz deu a notícia em primeira mão: O estúdio LAIKA irá expor os bonecos usados na animação stop-motion Coraline, baseado na obra de Neil Gaiman, na Praça Animada.

Léa Zagury falou do Grafite Animado, onde o público poderá criar sua animação em um grande mural coletivo numa das paredes da Casa França Brasil (mais detalhes em breve aqui no blog) e de uma novidade desse ano: a mostra Galeria Animada, onde filmes inovadores e experimentais serão exibidos de uma forma diferente no Centro Cultural Correios.


Marcos Magalhães entrou de cabeça no espírito do festival e permaneceu de máscara o tempo todo, destacando a mostra especial dedicada a Michel Ocelot com uma seleção de quatro longas, para comemorar o Ano da França no Brasil. Recomendou também os programas sobre os longas-metragens pioneiros no Brasil: o Papo Animado sobre os Irmãos Latini, autores de Sinfonia Amazônica (1953) e o documentário sobre Ypê Nakashima, autor de Piconzé (1974).

Log Jam - The Moon

A sessão foi composta por alguns filmes que estão na mostra competitiva: A experiência sensorial de Jam, de Mirai Mizue; Dix, impressionante viagem sobre as consequências daquela mania que muitos têm de não pisar nas linhas da calçada; os divertidos French roast e Les pieds sur terre, o brasileiro L.E.R.; Phantom of the Cinema, onde a metalinguagem atinge até mesmo a projeção do filme; o onírico e musical Her Morning Elegance; e quatro novos episódios hilários de Log Jam, sensação da edição anterior do festival. A julgar pela recepção do público, as sessões com esses filmes devem ser concorridíssimas. A dica é fazer logo a sua programação, consultando o nosso site!

Monday, July 6, 2009

Está chegando!!

É nessa sexta-feira que o Anima Mundi chega a sua 17ª edição, e o público já sabe muito bem o que esperar: nada menos que o melhor do universo da animação. Com um número aproximado de 1250 trabalhos inscritos, o festival esse ano terá mais de 400 filmes na programação, selecionados para surpreender tanto o frequentador mais assíduo quanto os que estão descobrindo agora os encantos do cinema animado.

E por aqui você vai encontrar atualizações diárias sobre o que está acontecendo no festival: destaques da programação, bastidores, fotos, vídeos, entrevistas e o que mais for interessante para quem quiser acompanhar quadro-a-quadro (e dia-a-dia) o mundo das imagens em movimento.

Papo Animado 2009: Saiba quem são os convidados

Sempre concorrido nas edições do Anima Mundi (no ano passado, os ingressos se esgotaram em tempo recorde!), o Papo Animado é o espaço onde se debate o cinema de animação de todos os tempos. No cardápio desse ano, teremos os pioneiros da arte no Brasil, autores de sites especializados e grandes criadores. Veja quem são:

Amid Amidi é uma autoridade quando o assunto é animação, e seu site, o CartoonBrew, uma referência. Autor de três importantes livros sobre o tema, Amidi vai mostrar o que há de mais novo e mais raro nesse universo, contextualizando os milhares de sites e blogs que tratam do assunto.


Priit Pärn é o maior nome da animação da Estônia. E engana-se quem acha que isso não é grande coisa: em um país de menos de um milhão e meio de habitantes, é onde encontramos a maior densidade populacional de animadores do mundo! Esse cantinho da Europa é celeiro dos filmes mais loucos e inovadores do gênero, e Pärn, com seu estilo inconfundível que influência gerações desde os anos 70, faz parte dessa história.

O francês Michel Ocelot, bem conhecido do público por seus quatro belos longas já lançados em circuito no Brasil, virá pela primeira vez ao festival mostrar sua trajetória autoral desde seus curtas, como o premiado "Les Trois Inventeurs". Nascido na Côte d'Azur, Ocelot se mudou muito cedo para a Guiné, no oeste da África, e isso certamente influenciou a pluralidade cultural de suas narrativas, geralmente fábulas animadas. Seu primeiro longa-metragem, "Kirikou e a Feiticeira", conquistou diversos prêmios, entre os quais o Grand Prix em Annecy. A participação de Ocelot em Anima Mundi faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil.

Os irmãos Anélio Latini Filho e Mário Latini são os criadores do primeiro longa-metragem em animação do Brasil. Sinfonia Amazônica, de 1947, foi feito (literalmente) pelas mãos de Anélio, que criou cerca de 500 mil desenhos (entre croquis, artes-finais, cenários e desenhos definitivos em folhas de acetato), e filmado pelo irmão Mário, utilizando uma câmera Ernemann Krupp. Para esse Papo Animado, convidamos a filha de Mário, Márcia Latini, para contar detalhes da trajetória desses verdadeiros pioneiros.

O Papo Animado vai acontecer no Rio nos dias 11 (Irmãos Latini), 15 (Amidi Amid), 16 (Priit Pärn) e 17 (Michel Ocelot) às 19h30 na Sala de Cinema CCBB e em São Paulo nos dias 22 (Ocelot), 23 (Pärn e Amid) e 25 (Irmãos Latini) às 19h no Memorial Sala 2.