Tuesday, October 27, 2009

28 de Outubro - Dia Internacional da Animação (DIA)

No dia 28 de Outubro de 1892, o francês Émile Reynaud fez a primeira projeção pública de um espetáculo de imagens animadas no mundo. Este evento aconteceu três anos antes da afamada primeira projeção do Cinematógrafo dos Irmãos Lumière em dezembro de 1895.



O Teatro Óptico de Reynaud tinha quase todas as características que até hoje compõem um espetáculo cinematográfico ou multimídia moderno: ação dramática, personagens, narrativa, emoção, música, participação do público... tudo feito à mão, imagem por imagem, num laborioso e inspirado trabalho artístico que mesclava com maestria preparação e performance improvisada no palco. No entanto, o "cinema" dos Irmãos Lumière ganhou mais reconhecimento histórico, apesar de suas pobres cenas cotidianas que não mostravam nada além da imagem pouco nítida de um "trem chegando na estação" ou de "operários saindo da fábrica". Existem várias razões para a imagem fotográfica dos Lumière ter prevalecido sobre a fantasia nos livros de história do cinema. Uma delas foi a própria atitude desesperada de Reynaud, ao constatar que seu cinema desenhado jamais alcançaria o resultado comercial do Cinematógrafo, que esvaziava o seu espetáculo ao mostrar um filme novo por semana! Como cada filme seu demandava pelo menos seis meses de trabalho, Reynaud anteviu a própria falência, e numa crise de depressão jogou quase todo o seu trabalho e equipamento no Rio Sena, destruindo evidências de seu talento. Como tantos outros artistas da época, Reynaud morreu pobre e esquecido.

Apenas nos anos 1970, Julien Pappé, um cineasta franco-polonês dublê de restaurador e apaixonado pelos primórdios do cinema, encontra dois filmes remanescentes de Reynaud e decide restaurá-los através de uma traquitana que os converte para película 35mm. Ao fazê-lo, Pappé se encanta a tal ponto que, em 1993, escreveu em um artigo para o Festival de Annecy,: "Não foi Lumière quem inventou o Cinema!"





Autour d une cabine, de Emile Reynaud (1894)

Em 1996, na quarta edição do Anima Mundi, trouxemos ao Rio a magnífica exposição ANIMAGIA, do Museu-Castelo de Annecy. A mostra contava com uma reprodução em escala natural de um "animatronic" de Emile Reynaud e seu Teatro Óptico, que exibia para o público os filmes restaurados por Pappé. Desde que a obra de Reynaud pôde ser novamente mostrada ao público, ele vem sendo reconhecido como um verdadeiro pioneiro, não só da animação como de todas as formas de imagens animadas (incluindo aí o cinema fotográfico!).

Maquete do Teatro Óptico na exposição ANIMAGIA (1996)

É por isso que, em 2002, a ASIFA (Associação Internacional de Festivais de Animação) decidiu inaugurar um Dia Internacional da Animação na mesma data da primeira projeção do Teatro Óptico, 28 de outubro. Em 2004, a AFCA (Associação Francesa de Cinema de Animação) se juntou à ASIFA no empenho de tornar a data mundial. Na ocasião, o Anima Mundi foi procurado através da ASIFA e repassou o contato à recém constituída ABCA (Associação Brasileira de Cinema de Animação), sabendo que esta seria mais uma ótima oportunidade de promoção para a nossa categoria profissional no Brasil.

A ideia vingou e o DIA (Dia Internacional da Animação) cresceu! Em 2007 o Anima Mundi teve a honra de ser escolhido pela associação para receber neste dia o Troféu ABCA, prêmio que guardamos com muito carinho em nosso acervo.

Desde então, o DIA vem ganhando peso e repercussão em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil onde é comemorado em vários eventos. Este ano, o DIA alcançou inclusive o reconhecimento e apoio de patrocinadores como a Petrobras. Consulte a programação completa no site:

É curioso que no Brasil o dia 28 de outubro já seja também o Dia do Servidor Público...
Na verdade, a função do animador tem algumas semelhanças com o servidor público: pode demandar igual dedicação, espírito público, lidar com muito papel e pode também encarar muuuito tédio em atividades repetitivas... ;-)

No DIA em que quisessem fazer uma homenagem conjunta a estas 2 categorias profissionais, eu creio que o melhor patrono seria o canadense Norman McLaren: lembrando que por quase 40 anos ele foi funcionário do governo canadense, no National Film Board, e ao mesmo um dos artistas de animação mais livres e inovadores que o mundo já conheceu. Só mesmo um gênio para realizar este paradoxo!!!
Marcos Magalhães

Thursday, October 22, 2009

Enquanto isso, no Rio de Janeiro...

O Curso Básico de Animação já está em andamento
na sede do Anima Mundi

Os alunos preparam seus storyboads e personagens
para a filmagem de uma cena em stop motion


O Curso Básico já está nas suas ultimas aulas, mas novos cursos de animação estão para começar em nossa sede em Botafogo! São os últimos dias para inscrição nos cursos Avançado (que começa no dia 4/11), Stop Motion (03/11) e Storyboard (5/12).

No curso Avançado, o aluno aprenderá a elaborar storyboards, fazer estudo de personagens e planejamento de cenas. A finalização tambem faz do programa de curso, que levará o aluno a produzir uma animação em papel ou massa de modelar totalmente finalizada, com trilha sonora.

O curso de Stop Motion ficará a cargo de Pedro Iuá, animador especializado na técnica, ganhador de vários prêmios com seu curta "Sushi-Man", mostrará nas aulas o processo de realização de um filme de bonecos de massinha, desde o seu planejamento, passando pela estrutura e construção de personagens, cenários e filmagem. Aulas teóricas e práticas desvendarão esta técnica de animação tão atraente e popular.

O Storyboard será ministrado por Tarso Pessurno. Tarso é ilustrador e desenhista de histórias em quadrinhos, com muita experiência em storyboards para desenhos animados, filmes de longa-metragem ao vivo e no mercado publicitário carioca. Ele é um dos principais storyboarders do chamado cinema da retomada.

Serão somente 20 alunos por turma! O pré-requisito exigido é que o aluno tenha, preferencialmente, a conclusão do Curso Básico de Animação ou demonstre experiência prévia. No caso do Storyboard, é preciso apenas que a pessoa interessada em participar do curso saiba desenhar.

No nosso site você encontra os programas completos dos cursos.

Wednesday, October 21, 2009

E o Anima Mundi chega a Alagoas!

Desde segunda feira a mostra "O Melhor do Anima Mundi Brasil" está no SESC de Arapiraca, principal cidade do agreste alagoano. Lá, além dos 35 curtas exibidos, o publico também está tendo acesso às oficinas de animação que podem acontecer simultaneamente à mostra. Aqui embaixo, você pode assistir a uma reportagem da Zóio TV, um website arapiraquense (conhecia o gentílico? :) ) que faz uma ótima cobertura dos acontecimentos artísticos e culturais da cidade:



O Anima Mundi fica em Arapiraca só até amanha. Os curtas estão sendo exibidos no auditório da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e as oficinas estão no Ponto de Cultura Candeeiro Aceso. A entrada para as sessões é franca!

Sunday, October 18, 2009

SESC apresenta: O Melhor do Anima Mundi


Tem gente que não sabe, mas o Anima Mundi não acontece só em julho - alguns projetos do festival duram o ano todo. É o caso do Melhor do Anima Mundi Brasil, que está há mais de dois anos viajando por todo o Brasil nas unidades do SESC!

Desde 2007, apresentamos curtas de animação nacionais que fizeram sucesso no festival com variados temas e técnicas de animação. As sessões, direcionadas ao público infantil, adulto e geral, já foram assistidas por mais de 25 mil pessoas e já passou por mais de 10 estados do Brasil. A mostra continuará viajando pelas unidades do SESC até fevereiro do ano que vem e seu próximo 'pouso' será nas unidades do estado de Sergipe.

Mas a participação do Anima Mundi não para por aí: há ainda a nossa parceria com o projeto A Escola Vai ao Cinema, promovido pelo SESC Nacional, que atua diretamente na formação de alunos e professores, com mostras de filmes e oficinas de cinema. O Anima Mundi passou a participar deste projeto em 2006, com suas oficinas de animação adaptadas de atividades do Estúdio Aberto e da metodologia didática do projeto Anima Escola. As oficinas incluem, além de uma introdução teórica à linguagem da animação, a produção de filmes de animação realizados, editados e sonorizados em sala de aula, realizados tanto por jovens e adolescentes quanto por professores e educadores, em duas turmas por cidade.

De 2006 a 2008, foram atendidos 1278 alunos em mais de 48 cidades diferentes, realizando 104 vídeos de animação. No mês passado, as oficinas foram nas cidades de Ananindeua e Castanhal, no Pará. Entre os trabalhos produzidos por lá, sempre podemos perceber uma forte ligação com a floresta e uma nítida preocupação ambiental, além das lendas locais que sempre estão presentes! Em breve disponibilizaremos aqui um pouco do resultado dessas oficinas.

Wednesday, September 23, 2009

Entrevista com Diogo Viegas

E não é que o Josué continua fazendo uma bela carreira? O curta de Diogo Viegas, premiado no Anima Mundi pelo Juri Popular do Rio como Melhor Animação Brasileira, ganhou no mês passado o prêmio de melhor curta no Festival de Gramado, competindo com 11 filmes que não eram de animação.

Fora isso, Josué e o Pé de Macaxeira esteve na programação de uma mostra de filmes de animação brasileiros na França, e em festivais de curtas em Goiania, Campina Grande, Aracati e Cabo Frio. E ainda foi o vencedor do Premio de Melhor Animação no fórum sobre cinema infantil Pensar Infância, que aconteceu no Rio de Janeiro no início desse mês. Pelo visto, a macaxeira é mesmo mágica! Abaixo, uma pequena entrevista com Diogo Viegas:

Como foi ganhar o premio de melhor curta-metragem em Gramado, sendo a única animação presente numa mostra competitiva de curtas “live action”?

Diogo: Geralmente em festivais de cinema as animações são tratadas como uma categoria à parte. Sem essa categoria, geralmente não somos selecionados. Portanto, já foi um privilégio ter sido um dos 12 curtas selecionados para um festival com a importância e com a história que tem o Festival de Gramado. Ser premiado e ainda em três categorias foi uma surpresa enorme. Mas Gramado vem mostrando que gosta de animações! Ano passado o Dossiê Rebordosa ganhou em duas categorias e esse ano Josué... ganhou em três. Pensando bem, ambos os curtas ganharam o prêmio de Melhor Curta Brasileiro no Anima Mundi 2008 e 2009. Será que o público do Anima Mundi está prevendo os futuros ganhadores de outros festivais?

Na premiação do Rio, você contou ao publico da sua satisfação em ganhar o premio pelo Júri Popular, explicando na premiação que era “cria do Anima Mundi". Mas além do gosto como espectador, você teve alguma formação especializada?

Diogo: A minha formação foi trabalhando! Eu comecei com 18 anos, estava terminando o 2º grau, e quem me deu a primeira oportunidade foram César Coelho e Aída Queiroz, dois dos quatro diretores do festival. Então, quando disse cria do Anima Mundi, fui realmente criado pelo festival, já que foi no estúdio deles, o Campo 4, que eles me orientaram nos primeiros passos na vida de animador. Além de ensinar como deveria ser feito e como melhorar, ainda me mostravam e indicavam filmes de animação fora dos estúdios tradicionais, como Disney ou Warner, que também são ótimos - eu adoro os clássicos -, mas os curtas que só podemos ver em festivais me fizeram enxergar animação de um modo mais amplo. Abriram pra mim um leque de possibilidades, maneiras e diversidades ilimitadas que podemos explorar dentro da mídia. Portanto, a minha formação básica foi no Campo 4 e acho que o César e a Aída nem sabem o tamanho da importância que eles tem pra todos que lá trabalharam...

E no festival? Quais filmes que você viu no Anima Mundi que te influenciaram diretamente?

Diogo: Eu posso falar horas sobre os filmes que vi no festival que me influenciaram e influenciam ate hoje. Eu gosto muito dos filmes do Alexander Petrov, especialmente O Velho e o Mar. É uma obra que só ele conseguiu fazer até hoje. Adoro os curtas da Aardman. Além dos Wallace e Grommit, o Creatures Comforts e o Loves me, Loves me not são brilhantes. Fora os curtas do Paul Drissen, Bill Plimpton, Andreas Hykade, só para citar alguns diretores. Mas o autor que mais me influenciou tanto como animador quanto na produção do Josué foi Michael Dudok De Wit. A primeira vez que vi O Monge e o Peixe, eu não pisquei! Era tão diferente visualmente do que eu conhecia, a animação tinha tanta personalidade e ao mesmo tempo era tudo tão simples e divertido que eu não sabia como processar todas as “informações” contidas naqueles seis minutos. Foi o curta que mais vezes eu vi! E sem sombra de dúvida, o meu curta só existe por causa deste. Porque não é a toa que o Josué é laranja...

Cena de O monge e o peixe, de Michael Dudok De Wit,

exibido em uma das primeiras edições do Anima Mundi.

Durante esse ano no Anima Mundi, se falou muito do processo de amadurecimento e profissionalização que já está acontecendo com a animação brasileira, com parcerias entre canais de TV, incentivos, etc. Você já consegue ver isso acontecendo? Ou ainda é difícil “viver de animação” no Brasil?

Diogo: Sim, para quem é da área, é evidente o crescimento do setor! Cada ano que passa, a animação nacional vem dando passos largos no sentindo de nos estabelecermos no mercado audiovisual. No momento temos diversas séries para TV sendo exibidas e outras em produção, coisa que ano passado não passavam de uma ou duas. Eu, por exemplo, estou na 2D LAB em plena produção da série Quarto do Jobi, que já está passando na TV Cultura e Canal Rá-Tim-Bum. Ao mesmo tempo, no estúdio estamos produzindo outra série em parceria com a Breakthrough, do Canadá, chamada Meu Amigãozão. Isso é apenas um exemplo, existem outras produtoras gerando conteúdo, não só para TV, como também com projetos de longa-metragem. E está sendo cada vez mais possível viver de animação no Brasil. Com diversos projetos acontecendo, a demanda de profissionais está aumentando. Na verdade, estamos até com falta em alguns setores, tendo que profissionalizar artistas para estas áreas com carência.

Episódio da série O quarto do Jobi, exibida na TV Rá-Tim-Bum.


E daqui pra frente? Tem mais animação sua vindo por aí?

Diogo: Eu tenho diversas idéias que quero desenvolver, mas agora ainda estou divulgando e curtindo o Josué nos festivais. Vendo as próximas surpresas que ele preparou pra mim. Porém, até final do ano, quero estar com uma idéia definida e pronta para começar a produzir ano que vem. Quem sabe um novo curta do Josué? É uma possibilidade...


E para quem quiser saber mais sobre a trajetória de Josué e o pé de macaxeira e também os trabalhos do Diogo, os blogs são: viegasestudio.blogspot.com ou diogoviegas.blogspot.com


Thursday, September 17, 2009

Mais um Curso vai Começar!

O Curso Básico de Animação continua a pleno vapor na sede do Anima Mundi em Botafogo, no Rio de Janeiro. Veja aqui algumas animações que os alunos já fizeram apenas nas 5 primeiras aulas!:


A próxima turma já está para iniciar (a segunda do semestre).
Últimos dias para inscrição!
São somente 20 alunos por turma, todo o material é fornecido e vários exercícios práticos são realizados em sala.

As aulas serão às segundas e quartas, das 19h às 22h. No nosso site www.animamundi.com.br/Cursos você encontra o programa completo deste e de outros cursos.

Para maiores informações e matrículas, ligue para (21) 2543-8860 / 2541-7499 ou contate-nos através do e-mail curso@animamundi.com.br.

Wednesday, September 9, 2009

Mostra Internacional de Animação LGBT


No Anima Mundi, todas as visões, orientações, ideias, tendências são habitualmente representadas com a linguagem da animação em centenas de títulos. Mas este amplo universo tem sido mais recortado ao longo do ano por outros festivais, que exploram temas específicos.

Foi o caso da Íris - Mostra Internacional de Animação LGBT, que aconteceu no Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do Rio até o dia 15 de Setembro passado. Os simpatizantes da animação puderam assistir a filmes de temática relacionada a diversidade sexual. Ao todo, foram 21 curtas de diversos países como África do Sul, Suécia, Reino Unido, Bulgária, Dinamarca e Turquia.

Entre os destaques esteve o brasileiro A descoberta de Luke, de Alan Nóbrega. Alan fez o curso de animação do Anima Mundi, e já está planejando uma continuação do curta! E agora, Luke? deve ficar pronto ainda esse ano.


A programação completa da mostra pode ser conferida aqui.


Friday, September 4, 2009

Animação 3D... em 3D!

A evolução dos estúdios Pixar tem sido acompanhada pelo público e equipe do Anima Mundi desde os primeiros curtas de John Lasseter, que sempre estiveram presentes no festival. Animadores como Doug Sweetland e MarkWalsh já estiveram no festival dividindo seus truques e talentos com os animadores brasileiros em workshops. Por isso não podemos deixar de recomendar que o nosso publico confira nos cinemas a nova animação da Disney/Pixar, Up - Altas aventuras.

O filme conta a história do velho rabugento e solitário Carl Fredricksen que, para não perder sua casa, resolve prender milhares de balões à chaminé e sair voando com ela para um paraíso perdido na América do Sul. Dessa vez a Disney só exibirá copias dubladas do filme. Muita gente prefere assistir às animações no idioma original, mas pelo menos a distribuidora irá brindar o público com a voz de ninguém menos que Chico Anysio no papel principal. A voz da menininha Ellie também é um show à parte. Pelo trailer oficial em português, dá pra se ter uma idéia de que o resultado ficou bem legal. :




Dirigido por Pete Docter (Monstros S.A.) e com roteiro de Bob Peterson (que também escreveu Ratatouille), UP abriu o Festival de Cannes desse ano, onde foi muito bem recebido. Já não é novidade que a Pixar sempre prima pela qualidade das suas produções. O grande diferencial do filme deste ano será a forma que será exibido também nos cinemas daqui: das 331 salas do circuito onde Up será exibido, 75 contarão com projeção em 3D. Esse é o ano em que todos os grandes estúdios estão investindo forte nesse novo formato. E para uma animação feita em computação gráfica, as possibilidades de "imersão" em um filme exibido com efeito de três dimensões são grandes - o que deixa qualquer fã de animação no mínimo curioso!

Modelo do rabugento Carl, interpretado no Brasil por Chico Anysio

Ainda assim, para o produtor John Lasseter a técnica usada não é o mais importante em uma animação. Segundo o diretor de Toy Story 2, decisiva é a história, em torno da qual tudo deve girar: "Não pensamos a história em 3-D, naquele velho sentido de deixar o espectador de sobreaviso com os objetos lançados contra ele. O recurso nos interessou muito mais como uma janela para a amplidão e tessitura da imagem", afirmou.

De qualquer forma, o público de animação ainda terá muitas chances de conferir o novo formato com os filmes que vem por aí a partir de 2010, como
Shrek para sempre, da Dreamworks, e os relançamentos em 3D de Toy Story 1 e 2 e A bela e a fera.

Monday, August 24, 2009

Cursos de Animação 2009



Já estão abertas as inscrições para os cursos de Anima Mundi 2009!

Para contatos e maiores informações, é só clicar na seção cursos de nosso site.

Tuesday, August 11, 2009

Brasil & Estônia

Anúncio publicitário feito pela Federação da Estônia para o amistoso de amanhã, divulgado no país baltico como "O Jogo do Século".

Em 2009, a Estônia completa 100 anos de futebol em seu país. Para comemorar, Pareiko, Jääger, Piiroja, Bärengrub e Klavan, Vunk, Dmitrijev, Purje e Vassiljev, Viikmäe e Zenjov enfrentam a seleção brasileira em um amistoso nessa quarta, às 14h15 no horário de Brasília. E a terra dos tremas também marcou presença esse ano no Anima Mundi, com a vinda de Priit Pärn ao festival. O estoniano participou do nosso Papo Animado, onde apresentou um pouco de sua filmografia originalíssima e nos contou sobre a tradição que a animação desfruta em sua terra natal.

Saiu lá também: Priit e Olga Pärn em uma matéria sobre
o Anima Mundi do Postimees, da Estônia (clique para ampliar).




Com as salas lotadas no Rio e em São Paulo, Priit preparou uma sessão que incluiu diversas produções de sua autoria, como propagandas de duas bebidas locais, um poema tradicional estoniano animado por ele como parte de projeto coletivo com outros animadores, alguns curtas e trechos de um média metragem recente, feito em parceria com sua esposa, Olga Pärn.



Priit revelou que nunca cursou nada relacionado a cinema ou artes, apesar de seu talento ter se manifestado desde cedo. Até hoje trabalha com outras formas artisticas além da animação, como pinturas, ilustrações e cartazes. Durante o Papo, exibiu alguns de seus trabalhos feitos com sua técnica favorita, o carvão (foto acima).

Em 1977, após seis anos estudando biologia, Priit decide produzir o seu primeiro desenho animado, Kas maakera on ümmargune? (A terra é redonda?), onde já se reconhece seu traço e estilo inovadores. Em um país que até o início dos anos 90 era controlado pela antiga União Soviética, o estilo autoral e vanguardista de Pärn (que influenciou gerações de animadores em todo o mundo) pode ser visto também como uma afirmação política. "Quando se vive em um regime autoritário, é preciso ser criativo para afirmar sua individualidade, e o humor absurdista de meus trabalhos foi a forma que encontrei para fugir da uniformidade", afirmou o animador.


Priit e Olga Pärn, durante o Papo Animado no Memorial da América Latina, em São Paulo


Um dos filmes apresentados, 1895, é uma verdadeira viagem de Pärn investigando a origem do cinema. De maneira semelhante, Karl and Marylin desconstrói dois mitos e os recolocam no mesmo século XX, de maneira divertida e surreal. Após a exibição dos curtas, o público pôde fazer perguntas aos dois criadores, e uma delas foi a respeito da sexualidade e da violência contida nesses filmes. Priit respondeu que elas só estão em seus trabalhos porque também fazem parte da vida, e Olga acrescentou: "Ninguém perguntava a Bergman ou Pasolini sobre a necessidade do uso de certos elementos de violência ou erotismo em seus filmes, pois estes eram intrísecos à obra. O mesmo acontece com nossos filmes de animação." Priit fez questão de frisar que, apesar de alguns de seus trabalhos serem voltados para o público infantil, seu trabalho não segue regras estipuladas pela TV ou outra mídia específica, e que animação não é algo somente para crianças.

Sobre o jogo de hoje, o diretor se adiantou em dizer que vai torcer para que seu país faça uma boa partida, mas agora que conheceu o Brasil não vê muito problema caso nossa seleção vença. Além disso, Priit nos mostrou que, apesar de seu país ocupar um espaço modesto no ranking da FIFA, figurando apenas em 112º, em matéria de animação os estonianos batem um bolão!

Monday, July 27, 2009

Júri Popular SP: O Divino, De Repente é a Melhor Animação Brasileira



Foi o filme de Fábio Yamaji que levou o prêmio de Melhor Animação Brasileira, segundo a decisão do Júri Popular de São Paulo! O Divino, de repente mistura as técnicas de stop motion, pixilation, rotoscopia, lápis sobre papel e filmagem em super 16mm para dar vida aos repentes que Divino improvisa para contar sua história. Merecidíssimo! Veja aqui o Fábio recebendo o troféu Anima Mundi 2009:


Sunday, July 26, 2009

Júri Popular SP: os premiados

Melhor Curta-Metragem:

1º Lugar - MON CHINOIS - Cédric Villain - França
(Eleito o melhor filme também no Rio de Janeiro! Assista acima o curta legendado ou, se preferir, baixe o arquivo em alta definição no site do diretor)

2º Lugar - THIS WAY UP - Smith & Foulkes - Reino Unido

3º Lugar - WALLACE AND GROMIT: A MATTER OF LOAF AND DEATH - Nick Park - Reino Unido


Melhor Curta-Infantil:
1º Lugar - ACHADOS E PERDIDOS (LOST AND FOUND) - Philip Hunt - Reino Unido

2º Lugar - PAUL E O DRAGÃO (PAULTJE EN DE DRAAK) - Albert 't Hooft, Paco Vink - Holanda

3º Lugar - O REI DA ILHA (IL RE DELL'ISOLA) - Raimondo Della Calce - Itália


Melhor Animação Brasileira:
1º Lugar - O DIVINO, DE REPENTE - Fábio Yamaji - Brasil

2º Lugar - JOSUÉ E O PÉ DE MACAXEIRA - Diogo Viegas - Brasil

3º Lugar - O ANÃO QUE VIROU GIGANTE – Marão - Brasil


Melhor Filme de Estudante:

1º Lugar - FOR SOCK’S SAKE - Carlo Vogele - França/Estados Unidos

2º Lugar - OUR WONDERFUL NATURE - Tomer Eshed - Alemanha

3º Lugar - SECONDE CLASSE - Boris Belghiti - França


Melhor Longa-Metragem:
1º Lugar - MIA ET LE MIGOU - Jacques Rémy Girerd - França

2º Lugar - $9.99 - Tatia Rosenthal - Austrália

3º Lugar - THE GOOD SOLDIER SHWEIK - Robert Crombie - Ucrânia, Reino Unido


Prêmio Núcleo de Animação de Campinas:
L.E.R. - João Angelini - Brasil

ANIMA MUNDI WEB
Prêmio Popular:


CIDADÃO DE PAPELÃO - Ivan Mola - Brasil
Prêmio Profissional:

PIMIENTA - Juan, Mariano, Diego, Franco - Argentina

Premiação do Júri Popular de São Paulo

A Sala 1 do Memorial foi palco nesse domingo da sessão de encerramento do Anima Mundi 2009, com a entrega dos prêmios de melhores filmes eleito pelo Júri popular de São Paulo. A seguir, alguns momentos da sessão:

Da esquerda para a direita: o diretor Marcos Magalhães, um Andreas Hykade, a mesa de luz do Prêmio Núcleo de Animação de Campinas e mais três Andreas Hykades.


Mauro Souza recebe o prêmio Anima Mundi Celular (Júri Profissional) por A Roda.




Ivan Mola agradece aos amigos e familiares (que compareceram em peso!) pelo apoio em Cidadão de Papelão, ganhador do Anima Mundi Web segundo o Júri Popular.


César Coelho lembrou que essa edição do Anima Mundi marca a consolidação da indústria de animação no Brasil, e que o sucesso do Anima Fórum, que aconteceu pela primeira vez no Rio de Janeiro, é consequência disso. Produções nacionais estão estreando na TV à Cabo, no momento, 12 produções estão em andamento e mais de 50 Milhões estão sendo investidos. Para concluir, César disse: "Os responsáveis por isso são vocês. O Anima Mundi a cada ano ganha mais importância, e hoje é provavelmente um dos maiores festivais de animação do mundo. Mas a certeza que temos é que esse é o melhor público do mundo, e se hoje existe uma indústria, é graças a vocês."

Anima Mundi 2009: último dia!


Hoje se encerra mais uma edição do Anima Mundi. Mas ainda é dia de curtir algumas das 16 sessões da programação desse domingo e participar dos últimos momentos das oficinas do Estúdio Aberto.
E por aqui, um pouco do que anda acontecendo por lá:


Zootrópio


Curtas em apreciação na Galeria Animada


Camisetas, DVDs, Flip Book e outros mimos na lojinha


Animação em Película


E às 20h é a vez do Júri Popular de São Paulo decidir quais são os melhores filmes do festival! As categorias são: Melhor Curta-Metragem, Melhor Longa-Metragem, Melhor Curta Infantil, Melhor Animação Brasileira, Melhor Filme de Estudante.
Logo após a sessão publicaremos o resultado, então até daqui a pouco!

Amid Amidi e o Cartoon Moderno


O Papo Animado com Amid Amidi, que aconteceu nessa quinta-feira, foi uma verdadeira aula de estética sobre os cartoons americanos da década de 50. Esse período é considerado por estudiosos hoje como um dos mais férteis da história da animação, considerando a originalidade do que era produzido até mesmo pelos grandes estúdios da época, como o de Walt Disney. A apresentação foi baseada no livro de sua autoria, o Cartoon Modern, um estudo que levou 7 anos de pesquisa e mais de 40 entrevistas com profissionais da animação para ser concçuído. Mas a sessão teve a vantagem da exibição dos curtas, que deu ao público do Memorial uma dimensão maior do que quando se vê apenas as ilustrações do material impresso.



Algumas das cabeças por trás do lendário UPA


Amid mostrou como se deu essa renovação e quebra de paradigmas estéticos através do trabalho de grandes desenhistas e diretores que aos poucos foram conquistando maior liberdade dentro dos estúdios. Alguns deles em breve integrariam a conceituada UPA (United Productions of America). Ward Kimbal, por exemplo, foi o único artista que, segundo Amidi, fora chamado de "gênio" por Walt Disney. Para se ter uma idéia da revolução que Kimbal implementou no estúdio, Amidi comparou em dois quadros um desenho do filme Peter Pan, em 53, e outro feito pouco mais de um ano depois:


Este em primeiro plano é um trecho de um filme que, nas palavras de Amidi, "é uma bíblia da animação em Los Angeles. Uma fonte de inspiração até hoje, pela riqueza na caracterização dos personagens." O curta se chama Toot Whistle Plunk and Boom, uma animação divertidíssima onde o Professor Coruja dá uma aula sobre a história da música, do homem das cavernas aos dias de hoje, explicando os quatro tipos básicos de instrumentos. Amidi explicou também a forma harmoniosa em que o design interagia com os movimentos, e a animação limitada a apenas algumas partes da cena criava um efeito cômico realçado, enquanto que dinamizava o tempo e o orçamento da produção.


Cena do clássico Toot Whistle Plunk and Boom, de Ward Kimbal.

Entre outros filmes exibidos, Amidi ressaltou a importância de artistas como Tom Oreb e Ed Benedict na criação de personagens como Zé Colmeia, Bob Pai e Bob Filho, etc, cujas formas e silhuetas são simples e eficientes, comunicativas. O estilo deles hoje influencia trabalhos comtemporâneos como Madagascar e Ren & Stimpy, de Tom McGrath. E a crítica que Amid faz a maioria das animações de hoje em dia é justamente o excesso de estilização, onde falta personalidade às figuras.


Um esboço do querido Zé Colméia vs. a hiper-estilização atual.

Como último filme da sessão, Amid Amidi selecionou o seu favorito. Fleubus, de Ernie Pintoff, traz uma abordagem mais introspectiva dos personagens, outra quebra de paradigmas em uma era onde a ação frenética e animais com atitudes humanas eram mais valorizados nos desenhos. Na animação, Flebus ama todo mundo e todos amam Flebus, exceto Rudolph. que recusa todos os seus presentes. Ambos procuram um psicanalista freudiano, que ironicamente dá o mesmo diagnóstico para os dois: “O seu prrrroblema é... você é neurrrrótico!”:


Saturday, July 25, 2009

Nesse sábado: The Good Soldier Shweik



A sessão das 23h do Memorial 2 hoje traz uma oportunidade única de conferir o longa The Good Soldier Shweik, de Robert Crombie. Única mesmo, já que, pelas palavras do diretor, seu filme foi proibido de ser exibido em um dos países de produção, a Ucrânia, e com isso enfrenta problemas de distribuição.

Baseado na baseada na famosa obra inacabada do humorista checo Jaroslav Hašek, Josef Shweik, um vendedor de cachorros de segunda mão, é convocado para a Primeira Guerra Mundial. No exército, o “idiota” Shweik é preso, dado como louco, usado como prêmio em apostas, e quase enforcado a caminho do front. Na adaptação de Crombie, Robert Crombie, o romance de Jaroslav Hašek foi finalizado com com base na famosa trégua de Natal de 1914, em que os soldados britânicos, alemães e franceses resolveram cessar fogo, trocando presentes e jogando futebol, sem o consentimento do Alto Comando Militar.


Com altas doses de humor negro, Soldier Shweik é um filme anti-guerra, que pelas suas ácidas críticas ao exército foi lamentavelmente retirado de circulação na Europa Oriental. Assista aqui o trailer.

Friday, July 24, 2009

O Grafite Animado no Memorial já é um sucesso!



São Paulo foi a cidade onde ocorreu a explosão do grafite brasileiro na década de 1980, tendo como um dos pioneiros o artista Alex Vallauri. Mais recentemente, artistas urbanos como Os Gêmeos, Donato e Binho Ribeiro ainda mantém os muros da cidade mais expressivos por meio de seus trabalhos. Com o grafite, a cidade vai ficando menos cinza, mais colorida, mais bonita. E talvez seja por isso que o público de São Paulo entendeu tão bem o conceito da instalação criada por Marcio Ambrosio e Sophie Klecker para o Anima Mundi. Veja aqui em baixo um pedacinho de um dos trabalhos:




Bacana, né? Quem ainda não deu movimento ao seu grafite, ainda dá tempo: o Grafite Animado fica disponível de 14 às 20 horas lá no Memorial. E para conferir o resultado final das animações, é só acessar o mural no site.

Anima Mundi no CCBB SP

O CCBB SP: Rua Álvares Penteado número 112


O Memorial da América Latina é onde o público tem mais espaço tanto para assistir as sessões quanto para participar das oficinas do Estúdio Aberto. Mas vale lembrar que o Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no centro de São Paulo, também oferece - e muito bem! - ótimas opções da programação do Anima Mundi. E o melhor: a entrada é gratuita! Para assistir os filmes, basta pegar sua senha, que é distribuída no dia da sessão à partir das 10h, na bilheteria.

A sala de cinema do CCBB: as portas só estão

fechadas na foto porque a sessão já começou!


Nesse sábado, às 15h, o horário está reservado para a sessão Infantil 7, e mais tarde, às 19h, é a vez do longa Peur(s) Du Noir, um conjunto de contos de terror e suspense já comentado aqui no blog. E no domingo, quem perdeu o Papo Animado com o ilustríssimo Pritt Pärn, poderá conferir os curtas que ele apresentou no Memorial a partir das 17h, e de quebra, ainda assistir seu média-metragem Elu Ilma Gabriella Ferrita, às 19h.

Cena do filme Elu Ilma... de Priit & Olga Pärn (2008)

Walt Disney Studios apresenta o making of de Bolt


Um estudo do supercão Bolt, mostrado por Renato e Leo
durante a apresentação na Praça Animada, no Rio.


Hoje, às 21h no Memorial 2, é a vez de São Paulo conferir a apresentação especial de Bolt, oferecida pelo brasileiro Renato dos Anjos e o espanhol Leo Sanchez-Barbosa, ambos animadores dos Estúdios Disney.

Antes da exibição do filme, a dupla preparou uma apresentação que vai mostrar minuciosamente a construção em 3D do personagem principal do filme, as referências usadas (certo clássico da Disney de mais de 50 anos serviu de inspiração para o cãozinho, criado com as modernas tecnologias digitais de hoje em dia), as mudanças recentes que ocorreram no estúdio após a fusão com a Pixar. É como um extra de DVD ao vivo, apresentado diretamente por dois profissionais que se envolveram de corpo e alma na produção desse filme, um divisor de águas nos Estúdios Disney. Foi a partir de Bolt que se implementou uma maior integração entre os departamentos do estúdio e uma preocupação maior artística nas produções.

Renato dos Anjos nasceu em São Bernardo do Campo, e quando tinha 14 anos, entrou como estágiário no estúdio de animação de Daniel Messias. A partir de 1997, mudou-se para os Estados Unidos, para se especializar. Leo Sanchez Barbosa é catalão e sempre teve como paixão desenhar.Foi trabalhar em Londres, onde a indústria de animação europa é mais forte, e posteriormente nos Estúdios Disney, em Burbank, onde trabalhou com Renato. Ambos foram responsáveis pela expressividade dos personagens em Bolt, quando implementaram mudanças já na fase de produção, o que teve uma influência crucial na qualidade da animação.

Thursday, July 23, 2009

Entrevista com Scott Tom, do Estúdio Laika


Há 12 anos que Scott Tom trabalha com todos os aspectos da fabricação de bonecos e cenários para a animação stop-motion. Coordenou departamentos de fabricação de bonecos em programas de TV e comerciais, como The PJ's, Gary & Mike e Robot Chicken. Em Coraline, foi chefe de fabricação de bonecos. Alguns minutos antes de sua apresentação especial do filme, ontem no Memorial, Scott Tom nos concedeu uma rápida entrevista, falando um pouco dos detalhes da produção e do que está achando do festival.

Qual a importância de se manter a estética do stop motion em um filme como Coraline, mesmo com tantos recursos em 3D, computação gráfica?

Tom - Nossa preocupação estética em Coraline foi a de deixar aquele mundo muito táctil. A Animação 3D gerada por computação pode parecer muito "etérea", enquanto o o stop-motion é mais "mundo real". Tudo que se vê na imagem realmente foi feito: os detalhes dos bonecos, o figurino, os ambientes. Acho que tudo isso atravessa a tela, é mais caloroso, tem mais apelo com o público, de uma forma que animação gerada inteiramente por computador muitas vezes não tem. Um boneco fabricado e fotografado nos dá uma sensação real de profundidade e tridimensionalidade.

A plasticidade visual de Coraline chega até mesmo aos cabelos dos personagens, onde fios eram inseridos um a um nos bonecos, para garantir uma movimentação realista.

Como foi a concepção visual dos personagens de Coraline? Eles foram criados a partir do zero por sua equipe, ou vocês tiveram alguma referência visual do diretor Henry Selick?

Tom - A inspiração visual para Coraline foi indepentente do que foi criado para o livro. Todos os personagens foram concebidos de acordo com a concepção de Henry, sua visão de como os bonecos deveriam ser, os cenários, etc. Para isso, ele trabalhou com diferentes ilustradores, que o ajudaram a se comunicar visualmente com quem fabricava os bonecos, com quem construía os cenários. Um dos ilustradores foi Tadahiro Uesugi, que teve uma participação muito grande na identidade visual dos personagens. Mas Tadahiro não foi o único na criação do visual do que veio a se tornar o mundo de Coraline. Nós precisávamos de mais ilustradores envolvidos, e o que se vê na tela é o resultado do esforço de uma equipe em dar vida ao que Henry tinha em mente. Foram muitas tentativas, nós esculpimos várias vezes inúmeras versões dos bonecos. Tínhamos, por exemplo, uma figurinista para os personagens. Hoje estamos satisfeitos em afirmar que nenhuma outra animação stop-motion mostrou tantas "trocas de roupa" quanto Coraline, e isso foi implementado para que Henry conseguisse mostrar o passar do tempo na história. Tudo isso deu um caráter único para a animação.
Na apresentação, Scott exibiu uma das ilustrações de Tadahiro Uesugi,

que ajudaram na concepção do Pink Palace, em Coraline.



Voce diz que o as animações de Ray Harryhausen é uma grande influência no seu trabalho, mas talvez muita gente não saiba exatamente quem ele é. Que filmes em stop motion você recomendaria para quem quer conhecer mais sobre essa técnica?

Tom - Ray é como se fosse "o pai do stop motion"- acho que todos na indústria pensam assim. Certamente ele não foi o primeiro a usar a técnica, mas foi aquele que a trouxe para o mainstream. E não eram filmes estritamente de stop-motion, eram efeitos especiais. Eu era bastante jovem quando assisti a Fúria de Titãs (1981), um filme em que alguns personagens eram deuses, e todos os efeitos foram criados por Ray. Olhando para trás, ele criou muita coisa pioneira em stop-motion. Outro filme que eu vi quando jovem e me influenciou bastante foi O estranho mundo de Jack (1993), do próprio Henry Selick, que muitos devem ter visto, um grande sucesso. Esses dois são filmes bem fáceis de se encontrar por aí, e funcionam muito bem como apresentação ao stop-motion. Mas essa técnica está em toda parte, se olharmos em programas infantis, comerciais, sempre encontramos exemplos.

E o que você tem achado do Anima Mundi? Como foi a receptividade do público com a sua apresentação do making of de Coraline com Mike Cachuela?

Tom - Bem, eu me sinto mal em dizer que não tinha ouvido falar do Anima Mundi até um ano atrás, e meus colegas sempre falavam: "você precisa ver como é". E é mesmo fantástico. Eu tive a felicidade de vir aqui com Coraline e conversar com esse público, e fiquei impressionado com a forma com que se interessavam. Nos Estados Unidos, nós não temos um festival de animação como esse, não com uma estrutura tão grande assim. Se faz muita animação nos Estados Unidos, mas o interesse do público não é como o daqui. Gostaríamos que fosse, porque é inspirador para a gente que trabalha duro para fazer tudo dar certo. É um processo muito lento fazer animação, e chegar em um lugar onde as pessoas querem muito saber como foi feito, que nos dão esse esse tipo de resposta, vale muito a pena.