Wednesday, September 23, 2009

Entrevista com Diogo Viegas

E não é que o Josué continua fazendo uma bela carreira? O curta de Diogo Viegas, premiado no Anima Mundi pelo Juri Popular do Rio como Melhor Animação Brasileira, ganhou no mês passado o prêmio de melhor curta no Festival de Gramado, competindo com 11 filmes que não eram de animação.

Fora isso, Josué e o Pé de Macaxeira esteve na programação de uma mostra de filmes de animação brasileiros na França, e em festivais de curtas em Goiania, Campina Grande, Aracati e Cabo Frio. E ainda foi o vencedor do Premio de Melhor Animação no fórum sobre cinema infantil Pensar Infância, que aconteceu no Rio de Janeiro no início desse mês. Pelo visto, a macaxeira é mesmo mágica! Abaixo, uma pequena entrevista com Diogo Viegas:

Como foi ganhar o premio de melhor curta-metragem em Gramado, sendo a única animação presente numa mostra competitiva de curtas “live action”?

Diogo: Geralmente em festivais de cinema as animações são tratadas como uma categoria à parte. Sem essa categoria, geralmente não somos selecionados. Portanto, já foi um privilégio ter sido um dos 12 curtas selecionados para um festival com a importância e com a história que tem o Festival de Gramado. Ser premiado e ainda em três categorias foi uma surpresa enorme. Mas Gramado vem mostrando que gosta de animações! Ano passado o Dossiê Rebordosa ganhou em duas categorias e esse ano Josué... ganhou em três. Pensando bem, ambos os curtas ganharam o prêmio de Melhor Curta Brasileiro no Anima Mundi 2008 e 2009. Será que o público do Anima Mundi está prevendo os futuros ganhadores de outros festivais?

Na premiação do Rio, você contou ao publico da sua satisfação em ganhar o premio pelo Júri Popular, explicando na premiação que era “cria do Anima Mundi". Mas além do gosto como espectador, você teve alguma formação especializada?

Diogo: A minha formação foi trabalhando! Eu comecei com 18 anos, estava terminando o 2º grau, e quem me deu a primeira oportunidade foram César Coelho e Aída Queiroz, dois dos quatro diretores do festival. Então, quando disse cria do Anima Mundi, fui realmente criado pelo festival, já que foi no estúdio deles, o Campo 4, que eles me orientaram nos primeiros passos na vida de animador. Além de ensinar como deveria ser feito e como melhorar, ainda me mostravam e indicavam filmes de animação fora dos estúdios tradicionais, como Disney ou Warner, que também são ótimos - eu adoro os clássicos -, mas os curtas que só podemos ver em festivais me fizeram enxergar animação de um modo mais amplo. Abriram pra mim um leque de possibilidades, maneiras e diversidades ilimitadas que podemos explorar dentro da mídia. Portanto, a minha formação básica foi no Campo 4 e acho que o César e a Aída nem sabem o tamanho da importância que eles tem pra todos que lá trabalharam...

E no festival? Quais filmes que você viu no Anima Mundi que te influenciaram diretamente?

Diogo: Eu posso falar horas sobre os filmes que vi no festival que me influenciaram e influenciam ate hoje. Eu gosto muito dos filmes do Alexander Petrov, especialmente O Velho e o Mar. É uma obra que só ele conseguiu fazer até hoje. Adoro os curtas da Aardman. Além dos Wallace e Grommit, o Creatures Comforts e o Loves me, Loves me not são brilhantes. Fora os curtas do Paul Drissen, Bill Plimpton, Andreas Hykade, só para citar alguns diretores. Mas o autor que mais me influenciou tanto como animador quanto na produção do Josué foi Michael Dudok De Wit. A primeira vez que vi O Monge e o Peixe, eu não pisquei! Era tão diferente visualmente do que eu conhecia, a animação tinha tanta personalidade e ao mesmo tempo era tudo tão simples e divertido que eu não sabia como processar todas as “informações” contidas naqueles seis minutos. Foi o curta que mais vezes eu vi! E sem sombra de dúvida, o meu curta só existe por causa deste. Porque não é a toa que o Josué é laranja...

Cena de O monge e o peixe, de Michael Dudok De Wit,

exibido em uma das primeiras edições do Anima Mundi.

Durante esse ano no Anima Mundi, se falou muito do processo de amadurecimento e profissionalização que já está acontecendo com a animação brasileira, com parcerias entre canais de TV, incentivos, etc. Você já consegue ver isso acontecendo? Ou ainda é difícil “viver de animação” no Brasil?

Diogo: Sim, para quem é da área, é evidente o crescimento do setor! Cada ano que passa, a animação nacional vem dando passos largos no sentindo de nos estabelecermos no mercado audiovisual. No momento temos diversas séries para TV sendo exibidas e outras em produção, coisa que ano passado não passavam de uma ou duas. Eu, por exemplo, estou na 2D LAB em plena produção da série Quarto do Jobi, que já está passando na TV Cultura e Canal Rá-Tim-Bum. Ao mesmo tempo, no estúdio estamos produzindo outra série em parceria com a Breakthrough, do Canadá, chamada Meu Amigãozão. Isso é apenas um exemplo, existem outras produtoras gerando conteúdo, não só para TV, como também com projetos de longa-metragem. E está sendo cada vez mais possível viver de animação no Brasil. Com diversos projetos acontecendo, a demanda de profissionais está aumentando. Na verdade, estamos até com falta em alguns setores, tendo que profissionalizar artistas para estas áreas com carência.

Episódio da série O quarto do Jobi, exibida na TV Rá-Tim-Bum.


E daqui pra frente? Tem mais animação sua vindo por aí?

Diogo: Eu tenho diversas idéias que quero desenvolver, mas agora ainda estou divulgando e curtindo o Josué nos festivais. Vendo as próximas surpresas que ele preparou pra mim. Porém, até final do ano, quero estar com uma idéia definida e pronta para começar a produzir ano que vem. Quem sabe um novo curta do Josué? É uma possibilidade...


E para quem quiser saber mais sobre a trajetória de Josué e o pé de macaxeira e também os trabalhos do Diogo, os blogs são: viegasestudio.blogspot.com ou diogoviegas.blogspot.com


Thursday, September 17, 2009

Mais um Curso vai Começar!

O Curso Básico de Animação continua a pleno vapor na sede do Anima Mundi em Botafogo, no Rio de Janeiro. Veja aqui algumas animações que os alunos já fizeram apenas nas 5 primeiras aulas!:

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A próxima turma já está para iniciar (a segunda do semestre).
Últimos dias para inscrição!
São somente 20 alunos por turma, todo o material é fornecido e vários exercícios práticos são realizados em sala.

As aulas serão às segundas e quartas, das 19h às 22h. No nosso site www.animamundi.com.br/Cursos você encontra o programa completo deste e de outros cursos.

Para maiores informações e matrículas, ligue para (21) 2543-8860 / 2541-7499 ou contate-nos através do e-mail curso@animamundi.com.br.

Wednesday, September 9, 2009

Mostra Internacional de Animação LGBT


No Anima Mundi, todas as visões, orientações, ideias, tendências são habitualmente representadas com a linguagem da animação em centenas de títulos. Mas este amplo universo tem sido mais recortado ao longo do ano por outros festivais, que exploram temas específicos.

Foi o caso da Íris - Mostra Internacional de Animação LGBT, que aconteceu no Centro Cultural da Justiça Federal, no centro do Rio até o dia 15 de Setembro passado. Os simpatizantes da animação puderam assistir a filmes de temática relacionada a diversidade sexual. Ao todo, foram 21 curtas de diversos países como África do Sul, Suécia, Reino Unido, Bulgária, Dinamarca e Turquia.

Entre os destaques esteve o brasileiro A descoberta de Luke, de Alan Nóbrega. Alan fez o curso de animação do Anima Mundi, e já está planejando uma continuação do curta! E agora, Luke? deve ficar pronto ainda esse ano.


A programação completa da mostra pode ser conferida aqui.


Friday, September 4, 2009

Animação 3D... em 3D!

A evolução dos estúdios Pixar tem sido acompanhada pelo público e equipe do Anima Mundi desde os primeiros curtas de John Lasseter, que sempre estiveram presentes no festival. Animadores como Doug Sweetland e MarkWalsh já estiveram no festival dividindo seus truques e talentos com os animadores brasileiros em workshops. Por isso não podemos deixar de recomendar que o nosso publico confira nos cinemas a nova animação da Disney/Pixar, Up - Altas aventuras.

O filme conta a história do velho rabugento e solitário Carl Fredricksen que, para não perder sua casa, resolve prender milhares de balões à chaminé e sair voando com ela para um paraíso perdido na América do Sul. Dessa vez a Disney só exibirá copias dubladas do filme. Muita gente prefere assistir às animações no idioma original, mas pelo menos a distribuidora irá brindar o público com a voz de ninguém menos que Chico Anysio no papel principal. A voz da menininha Ellie também é um show à parte. Pelo trailer oficial em português, dá pra se ter uma idéia de que o resultado ficou bem legal. :


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Dirigido por Pete Docter (Monstros S.A.) e com roteiro de Bob Peterson (que também escreveu Ratatouille), UP abriu o Festival de Cannes desse ano, onde foi muito bem recebido. Já não é novidade que a Pixar sempre prima pela qualidade das suas produções. O grande diferencial do filme deste ano será a forma que será exibido também nos cinemas daqui: das 331 salas do circuito onde Up será exibido, 75 contarão com projeção em 3D. Esse é o ano em que todos os grandes estúdios estão investindo forte nesse novo formato. E para uma animação feita em computação gráfica, as possibilidades de "imersão" em um filme exibido com efeito de três dimensões são grandes - o que deixa qualquer fã de animação no mínimo curioso!

Modelo do rabugento Carl, interpretado no Brasil por Chico Anysio

Ainda assim, para o produtor John Lasseter a técnica usada não é o mais importante em uma animação. Segundo o diretor de Toy Story 2, decisiva é a história, em torno da qual tudo deve girar: "Não pensamos a história em 3-D, naquele velho sentido de deixar o espectador de sobreaviso com os objetos lançados contra ele. O recurso nos interessou muito mais como uma janela para a amplidão e tessitura da imagem", afirmou.

De qualquer forma, o público de animação ainda terá muitas chances de conferir o novo formato com os filmes que vem por aí a partir de 2010, como
Shrek para sempre, da Dreamworks, e os relançamentos em 3D de Toy Story 1 e 2 e A bela e a fera.